Se Isto É Um Homem


Da experiência do Holocausto nasceu o escritor. O italiano Primo Levi dá aqui o seu testemunho de quase um ano como prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz.
A obra não se enquadra no estilo de outras sobre o tema. Com uma linguagem bastante sóbria e objectiva, o autor distancia-se o possível das práticas perversas levadas a cabo por soldados alemães, e relata a luta desigual de um homem a quem foram retiradas todas as condições que lhe faziam sentir como tal. O que é um homem? Quando deixa de o ser? Levi tem aqui a base para as suas divagações, e em última instância é, entre outras razões, a busca e perseverança para manter-se “à tona” que o diferencia dos demais e que lhe dá a capacidade necessária para sobreviver. Considerado unanimemente um clássico da literatura italiana.

Monday Mix

A eito.


Bongripper – Satan Worshipping Doom
Doom Sludge instrumental épico, grandioso, com riffs que variam entre uns antigos Candlemass e uns Electric Wizard em forma. Não estou a exagerar. Este é dos melhores álbuns do género que ouvi em anos.




b fachada – b fachada
Álbum de 2009 a que tenho voltado ultimamente. Cantam-se dores de alma, através de poesia maior. Para mim, ainda o registo mais inspirado dele.



Black Bombaim – Saturdays and Space Travels
O expoente máximo da cena de Barcelos faz do melhor Stoner instrumental que por aí anda. Mais directo que espacial, as influências do rock psicadélico mais antigo são óbvias mas aparecem aqui de espírito lavado. Excelente banda sonora para conversas e desconversas entre amigos e fumos. Download autorizado aqui.

The Sword - Warp Riders


Novo e terceiro álbum destes geeks de Austin, que desta vez deixaram de lado as medievalices e puseram-se a letrar sobre o sci-fi série B. A nível musical pouco ou nada mudou. Talvez mais limpinhos e um pouco menos barulhentos, embora o espírito e raízes de uma espécie de neo-heavy-metal a palmilhar terrenos do stoner permaneçam. No meio de riffs que em muito devem ao legado dos 70 de uns Sabbath ou de uns Zeppelin, surgem também influências óbvias, e, desta vez, menos escondidas do rock e blues a fazer lembrar uns ZZ Top.
Álbum muito bem-disposto e a minha companhia de condução na estrada nestes últimos dias.

Begotten

A criação e ciclo de vida do Homem são aqui retratados através de um conjunto de representações simbólicas, minimalistas e metaforizadas. Um Deus louco, ou numa trip de ácidos que correu para o torto, esventra-se e sucumbe moribundo, não sem antes dar à luz a Mãe Natureza que, por sua vez, se impregna com uma mescla de sémen e sangue do seu criador. Nasce o Homem. Num terreno imundo e estéril, Mãe e filho são sujeitos às depravações de bizarros humanóides.
O filme não vale pelo enredo, embora tenha a sua significância, mas pela forma como se mostra. Ao longo de hora e vinte, não há diálogos, apenas cenas medonhas, obscenas, e verdadeiramente desagradáveis, levadas ao extremo do tolerável e impulsionadas por um preto e branco sujo e intratável. O trabalho de imagem é, aliás, de uma originalidade tenebrosa e vale só por si a visualização da metragem. Os efeitos sonoros naturais, repetitivos, abstractos, formam uma cacofonia que ajuda a um desconforto e mal-estar inevitável.

O resultado é uma experiência sem par. Cada imagem é uma perversão hipnótica, um psicadelismo feio e disforme. Quem procura algo de diferente e verdadeiramente único tem aqui um achado.

top